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sábado, 14 de janeiro de 2017

Deus, dedinhos e fotografias

O filho de Deus tornou-se homem, 
para possibilitar que os homens se tornem filhos de Deus.
(C.S. Lewis)


Lembro-me perfeitamente da cena. Eu estava deitado no chão da sala, entretido com alguma coisa boba que passava na TV. Meu filho Nicolas, que tinha pouco mais de dois meses de vida, se mantinha sentadinho em meu colo. Sua mãe lia uma revista reclinada no sofá. Por alguns instantes o pequeno bebezinho não era o centro do mundo. Embora se esforçasse para atrair sobre si nossa atenção com gestos e resmungos, continuávamos intactos, absorvidos em nossas futilidades.

Foi então que ele decidiu igualmente se ocupar com alguma frivolidade e passou a procurar por todo o ambiente algo que lhe chamasse a atenção. Encontrou seus pezinhos, que por algum motivo, naquela hora, estavam sem as famigeradas meias coloridas. E foi aí, que ele fez uma descoberta estrondosa: Podia, sozinho, mover os dedos dos pés.

Que descoberta incrível! Nem Indiana Jones seria capaz de tamanha proeza. Sua empolgação automaticamente nos contagiou. Paramos nossas atividades secundárias para desfrutarmos do momento mágico de nosso garotinho, que naquela hora, havia passado para um novo estágio. Agora, ele era o “senhor” de seus próprios pés. Seus dedinhos se mexiam com agilidade, acompanhados de burburinhos de satisfação e dos gritos histéricos da mamãe: - Pega a câmera... Tira uma foto... Filma tudo... Que belezinha...   Nosso filho já era um homenzinho.

Mas, Miquéias, você gastou minutos preciosos de minha vida para me contar esta bobagem?  Quem é que está interessado nos movimentos dos dedinhos do seu filho? 

Eu estavaMinha esposa estava. Pais sempre se orgulham dos grandes feitos de seus filhos, mesmo que sejam tão pequenos que passem despercebidos para resto da humanidade. Ninguém comemorou a proeza do Nicolas, exceto eu e sua mãe. Comemoramos, aplaudimos e nos orgulhando. Aquele era o nosso garoto. "O Incrível Nicolas", grande dominador de seus próprios dedinhos.

No livro do profeta Oseias, Deus deixa bem claro o que enxerga quando nos vê: 

-“Quando Israel era menino eu o amei... Eu ensinei a andar Efraim; tomei-o pelos braços... Atraí-os com cordas humanas, com cordas de amor (Oséias 11:1-4).” 

Somos como crianças aos olhos de Deus. Birrentas, teimosas e desobedientes. Mesmo assim, cuidadas e amadas por um pai que não mede esforço para nos fazer feliz.

Deus nos acompanha diariamente com sua câmera fotográfica divinal.  E Pra quê? Para registrar nossos pecados e falhas?  Não! Ele não precisa disso.  Ele faz questão de apagar nossos pecados de sua memória (Hebreus 10:16-17). Deus usa sua câmera para fotografar nossos momentos heroicos, históricos e inesquecíveis. Como por exemplo, o dia em que aprendemos a mover os dedos de nossos pés sozinhos. 

E pode acreditar, exatamente nesse instante lá estará Deus, todo orgulhoso, comemorando sua grande descoberta.

Deus nunca teve vergonha de se orgulhar de seus filhos. Quando Jesus nasceu pobre e solitário numa manjedoura de Belém, Ele não deixou o momento passar despercebido.  Enviou anjos para cantar, anunciando à rudes pastores que seu menino havia nascido: - Ei, não fiquem aí parados, venham ver como meu menino é especial! E quando Jesus desceu as águas do batismo ele explodiu de felicidade, rasgou os céus e gritou para quem conseguisse ouvir: - Esse é o meu garoto! Estou orgulhoso dele! 

No céu deve haver um álbum de fotografias com cada um desses momentos especiais.

Jesus é o primogênito de Deus. Eu e você somos o restante da prole. E assim como acompanhou o dia a dia de seu filho na terra, Deus também acompanha os passos dessas crianças levadas que Ele adotou, e os tornou em filhos tão legítimos quanto o próprio Cristo: 

“Se somos filhos, então somos herdeiro; herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo, se de fato participarmos dos seus sofrimentos, para que também participemos da sua glória (Romanos 8:17).”

Irmãos às vezes têm divergências, mas, mesmo assim tendem a cooperar entre si. Se rirmos ou choramos juntos uns dos outros, lá está Deus, nos observando com ternura... Tirando uma foto para o álbum de família. 

Quando engolimos nosso orgulho e pedimos perdão a alguém, lá está Deus sorrindo para nós... 

Quando aprendemos que somos capazes de abrir a porta com a chave da oração, lá está ele do outro lado de braços abertos... 

Se vencermos nosso medo e damos os primeiros passos em direção à Ele (mesmo que seja por cima de águas), lá estará o Senhor, nos esperando, ansioso por um abraço apertado... 

Quando imitamos nosso irmão mais velho em suas atitudes, gestos, palavras e pensamento, chegaremos em casa e encontraremos um Pai extremamente orgulhoso e feliz... 

Orgulhar a Deus é imitar a Cristo, o exemplo de filho perfeito.

Obediente – ele fez tudo como o pai ordenara
Determinado – ele foi até o fim apesar das dificuldades
Esforçado – homem de dores e trabalhador
De fácil diálogo – Todos o entendiam, principalmente o pai, com quem conversava constantemente
Afável – estava sempre perto de quem o queria
Verdadeiro – nunca houve engano em sua boca
Justo – sempre esteve do lado do necessitado
Sincero – seu coração provinha de Deus
Puro – nunca pecou
Respeitoso – de fino trato com o próximo, independentemente de quem fosse
Amoroso – era movido por íntima compaixão
Controlado – nunca se deixou levar pela motivação errada
Centralizado – nunca esqueceu sua missão
Empático – morreu por todos os pecadores
Simpático – somos atraídos para ele
Fiel – estará lado a lado com sua “família” até a consumação dos séculos

É claro que nunca seremos iguais a Jesus, pois Ele foi (e ainda é) perfeito. Enquanto habitarmos neste corpo carnal nunca alçaremos a perfeição. Entretanto, Deus se orgulhará de nós, se pelo menos tentarmos sermos melhores a cada dia. Se não podemos ser iguais a Cristo, podemos pelo menos tentar ser parecido. Comece com pequenas atitudes:

Seja grato pelo dia que se inicia. 
Obedeça a um comandante e respeite um comandado. 
Abrace alguém que não gosta de você. 
Evite um pecado por dia. 
Seja mais sincero. 
Não conte aquela mentira. 
Cante um hino ao invés de reclamar. 
Visite um enfermo. 
Pratique a generosidade. 
Empreste sem esperar receber de volta. 
Diga a alguém que Jesus o ama. 
Diga a alguém que você o ama. 

Diga a Deus o quanto Ele é especial para você. Chame a sua atenção com gestos sutis. Mova delicadamente um dedo de cada vez...  E tente não se assustar com a luz forte e repentina. É apenas o flash!

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